sábado, 27 de março de 2010

A DESCARACTERIZAÇÃO DO ÍNDIO

Algumas considerações sobre os problemas enfrentados pelos índios em nosso pais:
1.Como se dá a educação indígena em nosso país.
A questão da educação indígena em nosso país sempre foi pouco divulgada para a população. De modo geral, pouco sabemos sobre como esse processo ocorre de forma efetiva. Segundo, a Revista Eletrônica do Núcleo José Reis de Divulgação científica ECA/USP, “a educação indígena se caracteriza pelos processos tradicionais de aprendizagem e aquisição dos saberes peculiares de cada etnia, esse conhecimento é transmitido de forma oral no dia-a-dia, nos rituais e nos mitos.” O texto de Sérgio Augusto Domingues faz uma análise de como esse processo teve seu inicio desde a expansão marítima espanhola e portuguesa onde aos índios foi imposta uma transição violenta. Com isso, as sociedades indígenas ficaram perdidas em meio ao “derramamento” de novos ensinamentos que estavam completamente distantes de sua cultura, aliás, a cultura indígena não foi considerada em momento algum durante o inicio do processo educativo que se firmou. O índio perdeu sua identidade. Domingues retrata esse quadro de forma muito precisa quando denomina o ensino que foi imposto ao índio como violência simbólica. O Filme “A missão” proposto como atividade complementar ao final do texto de Domingues, retrata essa perda da identidade do índio de maneira clara, pois, diante de uma situação extrema, os defensores de seu território e de sua gente não reagem mais e se submetem com medo da fúria de Deus que recairia sobre eles.
2. Os Indígenas foram considerados pelo estado como órfãos.
A educação indígena objetivava catequizar os índios, torná-los missionários, apaziguando-os, tornando-os dóceis e submissos as necessidades do povo da cultura dos brancos, no caso os colonizadores. As crenças e os hábitos indígenas foram completamente desconsideradosno processo educativo. Algumas tribos passaram a viver mais como brancos do que como os índios, maravilhados pelas novidades e comodidades da vida fora da aldeia. Outros foram incansáveis e defenderam seu modo de vida, usando o processo de educação dos jovens, exatamente para manter a cultura de seu povo. Como se isso tudo não fosse suficiente, o Estatuto do Indio de 1973 e a própria República, passaram a defender a idéia da orfandade dos indios, pois afirmam que ser cidadão é deixar de ser indio. Apesar de a Constituição de 1988 passar a considerar os indios como “povos”, eles ainda são pessoas que estão longe de resgatar sua identidade.
Atualmente os problemas enfrentados pelos povos indígenas são muitos: a maioria das terras ainda está em fase de demarcação ou homologação; as áreas indígenas invadidas por não-índios; dificuldade de acesso à saúde e à educação. Quem os defende nessas situações se não são considerados cidadãos?
Várias etnias têm buscado, a educação escolar como um instrumento em favor da redução das desigualdades, de afirmação de direitos e conquistas e de facilitar o diálogo Intercultural com os diferentes agentes sociais. Ainda de acordo co Domingues, “os índios defendem a idéia de que são uma minoria etnicamente diferenciada, que deve ser respeitada na sua diferença”. Novamente temos que aprender a respeitar o diferente, só assim teremos desenvolvido o compromisso real de respeito a pessoa humana.

Referências bibliográficas:
http://porlainclusionmercosur.educ.ar/smf/index.php?PHPSESSID=cfe946871c22fe8b05b12402ae0468f6&topic=48.0
http://www.eca.usp.br/njr/voxscientiae/indigena_40c.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Educa%C3%A7%C3%A3o_ind%C3%ADgena
http://www.dge.uem.br/geonotas/vol5-4/celia.shtml

MEIO AMBIENTE: A SOLUÇÃO ESTÁ EM TODOS E EM CADA UM

A vida na Terra surgiu há cerca de 3,5 milhões de anos. Na superfície de nosso planeta há água, energia e luz em quantidade suficiente. A água é indispensável para a vida, a energia é essencial para as reações biológicas que ocorrem nos organismos. A luz é a principal fonte de energia dos seres vivos. Todos os seres vivos têm um modo próprio de viver, que depende do seu organismo e do tipo de ambiente em que vivem. Das relações que os seres vivos estabelecem entre si e com o meio ambiente onde vivem depende sua sobrevivência.
Somente no ultimo século o homem descobriu que não é apenas um espectador passivo do drama da evolução da Terra, mas sim uma das forças mais poderosas que formam e alteram o ambiente terrestre (Superinteressante Especial – Natureza ameaçada).
Apenas o conhecimento é capaz de produzir mudanças de comportamento em relação ao meio ambiente? O que vemos nas escolas hoje com relação conscientização sobre os problemas relacionados ao meio ambiente são ações como a Semana do Meio Ambiente, por exemplo, o que não oportuniza de forma ampla mudanças de valores que levem ao surgimento de atitudes positivas. É necessário apoio de toda comunidade escolar, dos pais e da comunidade como um todo. O projeto a ser desenvolvido deve ser planejado para ser executado durante o ano todo. Os professores e alunos precisam sentir-se amparados na execução do projeto, a direção deve facilitar e auxiliar no que for preciso para o andamento do projeto para que todos juntos possam desencadear a criação de uma consciência ecológica. A Escola, com apoio de professores, coordenadores e direção faz a sua parte, porém, cabe a sociedade como um todo, inclusive com apoio governamental para que projetos desse tipo alcancem ao seu objetivo principal que é a conscientização de todos com relação a preservação ambiental.
Na escola, a equipe escolar deve trabalhar em conjunto, fazer valer o que foi combinado, fiscalizando sempre sem abandonar o objetivo proposto, deve ficar bem claro que o projeto é da escola como um todo e não somente de algumas disciplinas e seus respectivos professores. No início há um maior empenho da equipe com relação à fiscalização do andamento do projeto: jogar lixo no lixo, separar o material reciclável, aquisição ou confecção de recipientes adequados para cada tipo de lixo com a finalidade de promover a coleta seletiva, construção de jardins e hortas, confecções de painéis concientizadores e cartazes alertando para a preservação da limpeza do pátio, banheiros, sala de aula, enfim a escola como um todo. Esse ânimo inicial não pode ser esquecido. Deve-se também orientar para estender a abrangência das ações de preservação para além do ambiente escolar. Será necessário, apoio financeiro (e este constitui o maior entrave na realização dos projetos escolares), objetivos bem definidos, apoio pedagógico e emocional aos alunos durante a execução do projeto.
O projeto “Ações Diretas para a Prática da Educação Ambiental”, apresentado pela colega Maria Luiza da Silva Borges no fórum de discussão (M4 – UN1 – AT3) é excelente, pois contempla atuações em várias áreas como:

• Visitas a Museus, criadouro científico de animais silvestres.
• Passeios em trilhas ecológicas/desenhos: normalmente as trilhas são interpretativas; apresentam percursos nos quais existem pontos determinados para interpretação com auxílio de placas, setas e outros indicadores, ou então se pode utilizar a interpretação espontânea, na qual monitores estimulam as crianças à curiosidade à medida que eventos, locais e fatos se sucedem. Feitos através da observação direta em relação ao ambiente, os desenhos tornam-se instrumentos eficazes para indicar os temas que mais estimulam a percepção ambiental do observador.
• Parcerias com Secretarias de Educação de Municípios: formando Clubes de Ciências do Ambiente, com o objetivo de executar projetos interdisciplinares que visem solucionar problemas ambientais locais (agir localmente, pensar globalmente). Os temas mais trabalhados são reciclagem do lixo, agricultura orgânica, arborização urbana e preservação do ambiente.
• Ecoturismo: quando da existência de parques ecológicos ou mesmo nos locais onde estão localizadas as trilhas, há a extensão para a comunidade em geral. Os visitantes são orientados na chegada por um funcionário e a visitação é livre, com acesso ao Museu, ao Criadouro de Animais e as trilhas.
• Publicações periódicas: abordagem de assuntos relativos aos recursos naturais da região e às atividades da área de ambiência da empresa.
• Educação ambiental para funcionários: treinamento aplicado aos funcionários da área florestal da empresa, os orientado quanto aos procedimentos ambientalmente corretos no exercício de suas funções, fazendo com que eles se tornem responsáveis pelas práticas conservacionistas em seu ambiente de trabalho, chegando ao seu lar e à sua família.
• Atividades com a comunidade e campanhas de conscientização ambiental: com o intuito de incrementar a participação da comunidade nos aspectos relativos ao conhecimento e melhoria de seu próprio ambiente, são organizadas e incentivadas diversas atividades que envolvem a comunidade da região, como caminhadas rústicas pela região.
• Programas de orientação ambiental: a empresa desenvolve ainda outros programas para orientação ambiental como, por exemplo, fichas de visualização dos animais silvestres, orientação à comunidade para atendimento aos aspectos legais de caça e pesca produção e distribuição de cadernos, calendários e cartões com motivos ambientalistas.

Referências Bibliográficas
MARCONDES,A.C.SOARES,P.A.T.Curso Básico de Educação Ambiental.Editora Scipione,1991.
Superinteressante Especial – Natureza ameaçada, página 12 – 14.

QUILOMBOLAS: DEFINIÇÕES DE ALGUNS TERMOS.

CUPÓPIA:

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
A cupópia (palavra que significa fala) é um anticrioulo do português falado no bairro rural do Cafundó, em Salto de Pirapora, São Paulo, Brasil, um quilombo. A língua combina a estrutura morfossintática do dialeto caipira do português, falado nos arredores da comunidade, com cerca de 160 palavras de origem africana (principalmente do quimbundo). Contando 40 falantes quando de seus primeiros registros científicos, em 1978, a cupópia é falada por 12 pessoas atualmente.
Os oitenta habitantes do Cafundó atual, antes de tudo, são falantes de uma variedade do português rural. É na estrutura deste português que a "cupópia" se desenvolve. Contudo, a "cupópia" é usada apenas por oito falantes e somente em situações especiais. Por exemplo, diante de estranhos, quando os dialogantes não desejam revelar-lhes o conteúdo da conversa. O uso secreto de falas africanas foi muito comum no Brasil colonial.[1]
A "cupópia" é um anticrioulo, pois tem um vocabulário africano que a língua portuguesa não tem, e o usa intensamente sem apelar para o vocabulário português. O vocabulário da língua portuguesa não é utilizado na "cupópia" (a não ser raramente em forma de empréstimo). Como usa a estrutura da língua portuguesa, a "cupópia" é então uma língua mista, distinta do português.

BABAÇUÊ:

Culto afrobrasileiro em Belém do Pará, também chamado de Santa Bárbara ou Batuque. Trata-se de uma espécie de candomblé em que se invocam também os voduns, entidades comuns nos cultos vodus. Misto de rito iorubano e jeje, sua construção histórica e social denuncia a miscigenação, o sincretismo e a aculturação, fenômenos próprios da instituição da escravidão no Brasil.
Fonte: BASTOS, Abguar. Vocabulário dos ritos mágico-brasileiros de origem africana. In: D.O. Leitura, 10 dez 1991, p. 07.

MACUMBA:

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
A primeira definição de Macumba que se encontra em qualquer dicionário é de: antigo instrumento musical de percussão, espécie de reco-reco, de origem africana, que dá um som de rapa (rascante); e Macumbeiro é o tocador desse instrumento.
O conceito da macumba está tão arraigado na cultura popular brasileira, que são comuns expressões como "xô macumba" e "chuta que é macumba" para demonstrar desagrado com a má sorte. As superstições nesse sentido são tão grandes, que até mesmo para a Copa do Mundo foram criados sites para espantar oazar. São também muito comuns amuletos que vão desde adereços até objetos que remetem aos utilizados nos cultos religiosos.
Popularmente, a palavra macumba é utilizada para designar genericamente os cultos sincréticos afro-brasileiros derivados de práticas religiosas e divindades dos povos africanos trazidos ao Brasil como escravos, tais como os bantos, como o candomblé e a umbanda.
Entretanto, ainda que macumba seja confundida com o candomblé e a umbanda, os praticantes e seguidores dessas religiões recusam o uso da palavra para designá-las.
Outras acepções para o termo macumba são:
• Macumba, na acepção popular do vocábulo, é mais ligada ao emprego do ebó, feitiço, "despacho", coisa-feita, mironga, mandinga, muamba;
• Palavra usada no sentido pejorativo para se referir ao candomblé ou à umbanda;
• Diz-se mais comumente macumba que candomblé, no Rio de Janeiro, e mais candomblé do que macumba, na Bahia.
Câmara Cascudo: "Ainda ao tempo das reportagens de João do Rio os cultos de origens africanas no Rio de Janeiro chamavam-se, coletivamente, candomblés, como na Bahia, reconhecendo-se contudo, duas seções principais: os orixás dos cultos nagôs e os alufás dos cultos muçulmanos (malês) trazidos pelos escravos. Mais tarde o termo genérico 'macumba', foi substituído por Umbanda. Meio século após a publicação de 'As Religiões do Rio', estão inteiramente perdidas as tradições malês e em geral os cultos, abertos a todas as influências, se dividem em terreiros (cultos nagôs) e tendas.
No livro de 1904 As Religiões no Rio Paulo Barreto, sob o pseudônimo de João do Rio escreveu: “Vivemos na dependência do feitiço, dessa caterva de negros e negras de babaloxás e yauô, somos nós que lhes asseguramos a existência, com o carinho de um negociante por uma amante atriz. O feitiço é o nosso vício,mas o nosso gozo, a degeneração. Exige, damos-lhe; explora, deixamo-nos explorar e, seja ele maitre-chanteur, assassino, larápio, fica sempre impune e forte pela vida que lhe empresta o nosso dinheiro.” Macumba era definida por toda e qualquer manifestação mediúnica de curandeiros, pais-de-santo, feiticeiros, charlatões, e todos aqueles que se dispunham a intervir junto às forças invisíveis do além apenas em troca de dinheiro e poder. Ver:marmoteiro.
Prandi, 1991 "E a macumba carioca, portanto, pode bem ter se organizado como culto religioso na virada do século, como aconteceu também na Bahia. Não vejo, pois, razão para pensá-la como simples resultante de um processo de degradação desse candomblé visto no Rio no fim do século por João do Rio, essa macumba sempre descrita como feitiçaria, isto é, prática de manipulação religiosa por indivíduos isoladamente, numa total ausência de comunidades de culto organizadas. Arthur Ramos fala de um culto de origem banto no Rio de Janeiro na primeira metade do século, cultuando orixás assimilados dos nagôs, com organização própria, com a possessão de espíritos desencarnados que, no Brasil, reproduziram ou substituíram, por razões óbvias, a antiga tradição banto de culto aos antepassados (Ramos, 1943, v.1, cap. XVIII). São cultos muito assemelhados aos candomblés angola e de caboclos da Bahia, registrados por Edison Carneiro, que já os tratava como formas degeneradas (Carneiro, 1937. Para uma análise atual da questão da pureza nagô, ver Beatriz Góis Dantas, 1982 e 1988)."
FONTE: http://pt.wikipedia.org/wiki/Macumba

quinta-feira, 25 de março de 2010

ES - Comunidade negra planta ervas medicinais para resgatar cultura.

Por Ubervalter Coimbra
Natureza em Ação. Este é o título de um projeto que cinco comunidades quilombolas capixabas estão desenvolvendo para recuperar seus conhecimentos sobre plantas medicinais. Com recursos limitados, o grupo de 25 membros faz reuniões mensais. Juntos, os quilombolas produzem mudas, arranjam sementes e orientam sobre como fazer os remédios.
Luzinete Serafim Blandino, a Luzia, faz parte do grupo, que atua nas comunidades de São Domingos, Roda Dágua, Angelim I e II e Nova Vista, em Conceição da Barra. Relata que o grupo está se reunindo desde outubro do ano passado. Conta com apoio da Federação dos Órgãos para Assistência Social e Educacional (Fase), regional do Espírito Santo.
Luzia informou que o objetivo central do grupo é resgatar os conhecimentos dos quilombolas sobre tratamentos de doenças com as ervas. E que para isto pretendem criar um centro para produção e distribuição dos remédios fitoterápicos.
O grupo encontra grande dificuldade, pois com a plantação de eucaliptais e de canaviais na região praticamente nada sobrou das plantas usadas antigamente. Cada planta recuperada é usada em plantios, com o objetivo de produzir mudas para as outras comunidades.
Há troca de mudas e de sementes. E feita a difusão das antigas técnicas de produção de chás, emplastros e outras formas de aplicar os remédios. É desta forma, diz Luzia, que os membros do grupo já produzem remédios para febre, por exemplo. Os remédios são feitos com melão-de-são-caetano, alfavaca, folha de laranja, louro, entre outros.
Para tratar diarréia os quilombolas usam a marcela, macaé e losna. Infecções são tratadas com arnica, erva-santa, entre outras. Luzia relata que já foram resgatadas mais de 30 das ervas tradicionalmente usadas pelos quilombolas. O grupo também emprega o mel, a própolis e o alho, entre outros, para produzir seus remédios.
Fonte: Século Diário em 13/05/2008.